sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Sem a força do Amor


Sinto-me lentamente a morrer
Pois até a Lua deixei de contemplar
O Sol, esse, deixou de m’aquecer
Nem tenho a alegria de quem viaja…


O ‘amigo que vale a pena’,
Queda-se poeirento na estante,
Pois os dias passam em sufoco
Em luta silenciosa à procura de paz


Quem não lê fica confinado
À quadratura do quarto sem alma,
À falta de cor do arco-íris hodierno,
À morte em plena mistificação de Vida.


Ah, já não ouve música esta esquecida alma
Cujo sorriso já não mora,
Apenas passa, fugazmente…
Porque sem a força do Amor…


Alma desalmada que já não encontra graça
Nem mesmo em si própria.
Sinto-me lentamente a morrer…
Pois até a Lua deixei de namorar!

(Ou ela já não me acha graça?)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Dia Nacional do Pescador


Pescador...
(essa dura profissão de homens que se levantam, de madrugada, lançando-se ao mar… sempre em potencial perigo de vida… à procura do “pão pr’a boca” dos filhos que sempre abundam…)

fotos de Hellio Vaninger


Uma classe profissional que depende completamente da Natureza, do Ambiente, e que, hoje, sabe mais do que qualquer outro, que é preciso preservar… para garantir o amanhã, evitando a todo o custo a “destruição”. Numa palavra, homens e mulheres que sabem, pela experiência, que é necessário “gerir”… e pensar, acima de tudo, na preservação e protecção do nosso meio marinho.
A dura e imprevisível vida dos nossos pescadores na sua faina diária, é reconhecida num dia como hoje, 5 de Fevereiro: a faina e a vida dura dos homens do mar, e com eles, as preocupações actuais em relação ao peixe cada vez mais escasso… e à inerente necessidade de preservar para que não falte amanhã. Aliás, a filosofia do velho pescador de S. Pedro, Albertino, permite-lhe afirmar categoricamente, do alto do seu bote: ‘Pésca de manhá ta dependê tcheu de pésca d’ahoje!!!’
Nos tempos que correm, com as dificuldades acrescidas, do peixe cada vez mais longe da costa, impõe-se para todos a necessidade de gestão. Uma gestão imposta pela necessidade de preservar para poder continuar a dispôr…
Os nossos homens e mulheres da pesca e do mar, precisam se adaptar aos novos tempos, e paulatinamente, pela necessidade, pela descoberta, pelo amor lutam e lutam, procurando vencer na Vida. Mesmo que seja necessário mudar velhos e tradicionais hábitos seculares de pesca enraizados no ‘modus operandi’ da faina nas ilhas.
A palavra de ordem é ‘preservar para não faltar’. Respeitar a Natureza, ou dito de forma mais correcta: voltar a respeitar a natureza, ajudando a que se mantenha o equilíbrio natural das coisas…
Pôr em prática – para todos - divulgando as medidas tomadas para proteger o património natural, pois é necessário proteger e mesmo voltar a criar esse verdadeiro tesouro marinho que ainda temos, pois a qualidade ambiental está em muito relacionada com os esforços de preservação que todos queremos que sejam enormes. E os Pescadores sabem disso!
Uma homenagem merecida a esses profissionais da pesca, no seu Dia Nacional.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O Comandante das Aguas Turvas (I e II)


- Há, ou devia haver, sempre (!) um Vasco da Gama nas nossas vidas…
- Como? Hoje destes para anedotas?
- O pior é que o meu, precisa ainda ser descoberto por mim… E digo, por mim, porque tu bem que o podes ter descoberto por ti… aliás como já mo dissestes bastas vezes…
- O que dizes querido?
- Não acredito… Quarenta e dois anos a viver comigo mesmo… e nem Índias nem Américas para mim.
- O que se passa contigo, Amílcar? Falas, falas… e não comunicas. Que história é essa?
- Eu só tenho um Porto conhecido e seguro.
- Sonhastes querido?
- Porto seguro… Ahn?
- Ahn! Eureka, parece que acordastes agora. Amílcar Eugénio Lima…
- Hum. Acordei agora? Guida, não brinques comigo. Estavas a falar comigo? O que foi que dissestes? Desculpa-me…
- Há que tempos te estou a falar, e não me respondes…
- Quem? Eu? Comigo?
- Claro! Alô! Estás a ver mais alguém aqui em casa? O nosso Eugénio… esse, já só nos enche a casa nas férias… Ah Amílcar, que saudades do nosso menino…
- Ah não! Outra vez, não!
- Todas as vezes. Todas as vezes…
- Margarida! Margarida querida, de novo?
- Novo? Não há nada de novo. A não ser este vazio deixado pelo nosso menino ausente…
- Ah! … Eu preciso. É uma necessidade. Mudar de cenário. Mudar de corpo. Co-habitar… apoderar… existir… descobrir… encontrar-me…

Eu que tenho a pretensão de o conhecer, por pensar o ter criado, noto que ele se vai esvaindo para a minha pena…para viver para a realidade que o circunda. A esposa, o quarto, os móveis, tudo à volta, vai perdendo cor e brilho, lentamente, até desaparecer para o Amílcar. Olhos vítreos… Aqui, mais uma vez reconheço que, apesar do meu convencimento, não o controlo. Tem vida própria. E ficou já provado, deixando-me com o queixo caído, as mãos trementes… E alguns dias estéreis, sem poder escrever uma letra. Continuo a pensar nesse episódio que me aconteceu, e cada vez mais entendo menos. Mas isto ‘são contas para outro rosário’. Tenho que me concentrar no agora. No que está mais uma vez a acontecer… sem o escritor… Observo o Amílcar: olhos vítreos… Poderia estar no cume de Tôpe de Coroa, camisa dançando ao vento, o infinito a monopolizar-lhe a vista, a mente.
- É uma necessidade: preciso encontrar os meus outros mim… Sei que existem. Sinto que existem… Ao longo dos anos, há um pensar (sonhando) que mais parece um sonho sem fim, que se me repete!Eu existo porque senão não estaria pr'aqui a pensar... e dos biliões de habitantes deste planeta azul... porque será que só estou com este Eu -um Eu aqui destas ilhas perdidas no meio do Atlântico - e não com n outros eus possíveis por este planeta dentro...Sem falar, sem nome, sem história, origem ou cor... sigo pensando, sonhando... mas continuo sempre este mesmo Eu. Um simples cabo-verdiano, anónimo na vida do dia-a-dia do sobreviver constante, por um mundo melhor, a começar por estas ilhas afortunadas... E porquê este quarto, esta casa que de tão familiar… me é estranho… Fui eu que comprei, ou fiz esta casa? E é sempre assim… dias iguais… a mesma mulher… a mesma terra castanha no ecrã da minha janela…E acordo do pensar, acordo do sonho, e continuo a perguntar porque não sou a alma/espírito de um outro ser qualquer desta Vida? Devia era haver um Vasco da Gama nas nossas vidas… E ainda hei-de descobrir o meu. Asseguro que eles – os meus outros mim - estiveram sempre presentes desde o momento zero da minha missão na terra. Hum, cá estou eu, de novo, com esta mania de ‘missão’… não sei qual de nós… ou deles, tem essa filosofia como esteio de vida… missão… que missão?
O ruído do bater da porta soa a explosão ou ao deflagrar de um tiro. Corta o navegar do ‘comandante d’aguas turvas’, como ele próprio se auto-intitula. Confesso que também nisso, não tive um único dedo. Prometo pô-lo a explicar-se sobre esse episódio. Amílcar volta a se deixar possuir…fica por momentos petrificado. Não se percebe que esse ser é vivo. Deve respirar d’outra forma qualquer. E sei isso porque não é a primeira vez que o vejo nesse estado. Petrificado não aparece aqui por acaso. É o que melhor define o que vejo: não respira, não meche, não estremece, não treme, não esboça o mais leve movimento. Parece que o tempo pára: Olhos vidrados, sem expressão nenhuma. Da primeira vez, saí a correr à procura de quem evitasse a morte eminente do meu personagem, de caneta em punho, pois a situação o impunha. Sentia a urgência em agir de imediato. Cada minuto poderia ser o último. Não o queria perder, ficava sem personagem e sem história. Nas imediações da casa dele, só pardais, algumas acácias, e uma estrada calcetada por gente que tem jeito, tal a arte e beleza das pedras trabalhadas por escultor de mão afinada. E também, ao fundo, a imponência do Monte que, de verde, só tem o nome. Verde, aliás que parece ser uma espécie de ‘frustração colectiva’ por aquelas ilhas perdidas no meio do Atlântico.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Solitary Man



Lençóis amarrotados,
Cama vazia de amor…
Vazia do filtro de luz azul,
Vazia do respirar de gente amada

Minha solidão existencial
em quarto ausente
lua cheia de amor
se projecta dividindo cama e coração…

Nem tudo nesta vida é poesia
Não consigo ser feliz…
Nem tudo nesta vida é poesia
lágrimas saem em convulsões.

Tenho mais estômago de bebe…
Falta-me perícia de marinheiro.
Lágrimas por isto e por aquilo,
Líquida Dor, de aperto e sufoco

Amor não correspondido…
Amor não entendido…
Amor não justiçado…
Amor… em vão gastado

Ah este purismo de amar…
E sonhar, sonhar, sonhar…
Afinal a vida se resume…
A mil e uma noites brancas…

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Jaime Vishal – Jaime Lopes, actor filho de pais cabo-verdianos, suicidou-se…


O artista foi encontrado sem vida em casa dos pais
Aos 30 anos, Jaime Vishal foi encontrado já morto em casa dos pais, com quem morava, no dia 20 de Janeiro. Segundo a autópsia, o actor morreu de paragem cardíaca que, ao que tudo indica, foi provocada pela ingestão de uma grande dose de medicamentos.
Jaime Vishal começou a carreira profissional na televisão em 1998 na série da SIC Médico de Família, tendo sido também protagonista da série Os Jika da Lapa. No seu mais recente trabalho, o actor dava vida ao escravo Tobias da série da TVI Equador, mas desenvolveu também a sua profissão nos palcos de teatro, bem como na sétima arte.
Melissa Tavanez


Nascido a 5 de Agosto de 1978, o actor Jaime [Bruno Almeida] Lopes morreu dia 20 em Corroios (Seixal).
Integrou o elenco de diversos espectáculos teatrais, nomeadamente:

Hamlet, encenado por Ávila Costa (Grupo de Teatro de Letras, Lisboa, 1998);
A Real Caçada ao Sol, de Peter Shaffer, encenado por Carlos Avilez (Sala Garrett, Teatro Nacional D. Maria II, 2000);
Damas D'ama, de Isabel Freire, encenado por Mário Trigo (Teatro Taborda, 2003);
O Dono do Nada, de Amélia Muge, encenado por Adriano Luz (Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra, 2003);
Os Lusíadas Rumo ao Oriente, encenado por António Pires (Sala Garrett, Teatro Nacional D. Maria II, 2005);
Os Negros, de Jean Genet, encenado por Rogério de Carvalho (Teatro Nacional São João, Porto, 2006);
A Filha Rebelde, a partir de texto de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, encenado por Helena Pimenta (Teatro Nacional D. Maria II, 2007).
Cinema

Kunta, realização de Angelo Torres
Lovebirds, realização de Bruno de Almeida
Uma conversa simples, curta metragem
8.8, filme de Edgar Pêra

Televisão

Equador
Vingança
Jika da Lapa
O teu olhar
Lusitana Paixão
Espírito da lei
Médico de Família

“Recordo-o com saudade. Era muito simpático e bom profissional. Irradiava felicidade. Foi uma pena ter-nos deixado”, disse a sua agente Samira Pereira.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Faleceu ontem 27 de Janeiro uma Voz feminina da poesia cabo-verdiana… Adeus a Yolanda Morazzo


Nasceu a 16 de Dezembro de 1927, nesta ilha de S. Vicente.
Yolanda Morazzo era neta de José Lopes da Silva.
Uma das raras poetisas cabo-verdianas desse período colonial... e a única voz feminina na revista Claridade.

Frequentou o Liceu Gil Eanes do Mindelo e concluiu os seus estudos liceais em Lisboa, para onde foi em 1943, e onde fez os cursos de Francês no Instituto Francês e o de inglês no Instituto Britânico.

Emigrou para Angola onde foi professora da Alliance Française em Luanda. Deixou Angola em 1975 na sequência da descolonização e regressou a Lisboa onde se manteve até à morte, ontem, vítima de doença prolongada, aos 80 anos de idade.

Grau académico: Doutoramento, 1988, Lisboa, Estremadura, Portugal. Sobre a escrita desse seu parente e um dos expoentes máximos da Literatura Cabo-Verdiana... Baltazar Lopes da Silva.

• Colaborou na Claridade, Cabo Verde - Boletim de Propaganda e Informação, no Suplemento Cultural; Ponto & Vírgula e Artiletra nos portugueses Artes e Letras do Diário de Notícias; nos angolanos Província de Angola, Jornal do Lobito, Notícia, República, etc.
Figura em: Modernos poetas cabo-verdianos - Antologia, Praia, I. Santiago, 1961;
Nós somos todos nós. Antologia Portugalidade, Luanda, Angola, 1969;
A mulher e a sensibilidade portuguesa, Luanda, Angola, 1970;
e No reino de Caliban - Antologia panorâmica da poesia africana de expressão portuguesa, Lisboa 1975.

• Publicou: Cântico de Ferro, Lisboa, 1976, e Poesia Completa 2004
Elsa Rodrigues dos Santos, em entrevista para o Artiletra, em Dezembro de 2006 dizia dela:

"Nha terra é quel piquinino

É São Vicente é que di meu"


Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.
Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.
E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...
E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...

Este poema – Barcos - encontra-se no CD Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, de Afonso Dias.

Lavagem de Capitais - pôr na prática


Apraz-nos aqui realçar esse momento vivido a 27 de Janeiro na Assembleia Nacional, com todos os deputados presentes sintonizados com Cabo Verde…
Conforme escreve
http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article38639 “Em relação à lei da lavagem de capitais, todos os sujeitos sublinham a ideia de que Cabo Verde precisa apertar as malhas do crime organizado e a chamada lei de lavagem de capital globalmente pode dar uma boa resposta a este desafio. Mesmo porque na apresentação do referido diploma, a ministra da Justiça, Marisa Morais, defendeu que “pouco serve apreender drogas, se os traficantes continuam com altas somas na sua conta bancária” para realimentar as actividades criminosas.”

Palmas! Esperando que momentos como esse venham a acontecer cada vez mais na nossa NA. Por um Cabo Verde cada vez melhor.

terça-feira, janeiro 27, 2009

PAZ...Israel - Palestina


“Enviar George Mitchell para o Médio Oriente é cumprir a minha promessa de campanha de que não vamos esperar até ao fim da minha administração para abordar a paz entre Israel e a Palestina. Vamos começar já”.
E vai avisando que a sua Administração queria começar por ouvir e falar com os envolvidos, sem julgar antecipadamente as suas preocupações.
Obama que acrescenta: já é tempo para Israel e os palestinianos retomarem as negociações de paz”.

OBAMA em entrevista à cadeia árabe Al Arabiya.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Blog Joint - Ensino Superior... com Qualidade Superior


Crise anunciada no Ensino dito Superior plantado no chão das Ilhas.

Nem oito… nem oitenta! – A verdade é que serem os estudantes obrigados a sair do país para poderem continuar os seus estudos superiores noutro país qualquer, como foi norma nos primeiros anos da independência e até há poucos anos trás… é no mínimo castrador em diversos aspectos. Desde o ‘cortar’ com a família, com a cultura, com os amigos, com o estilo de vida, e sobretudo a obrigação de aprender e estudar em língua estrangeira… sem esquecer o reduzir drástico das possibilidades de ter essa faculdade – o acesso.

Mas referimo-nos a isso (nem oito… nem oitenta!) pelo facto de sentirmos, nos últimos anos, a sensação de que, agora, a preocupação maior é a proliferação de cursos superiores, relegando para segundo plano esse outro aspecto, também ele fundamental: a qualidade desse ensino.
Ficamos com a sensação de que, agora, o que interessa é criar, criar, criar… e não pesquisar, organizar, reunir as condições para ministrar cursos superiores de superior qualidade.
Cursos superiores que, não obstante as nossas pretensões, de superior só têm quantidade… quando é de se exigir que esses cursos superiores o sejam pela qualidade.
É caso para dizer: Qualidade superior para o nosso Ensino Superior, procura-se... almeja-se… e que se deve trabalhar nesse sentido. Mas infelizmente os sinais que saem e a prática não vão nesse sentido.

“A proibição (Constitucional) de o Estado programar a educação e o ensino segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas” não deve afugentar o Estado de programar, de pensar, de organizar… e em relação ao privado, de fiscalizar e de exigir um nível mínimo.

É caso para pedir que se encare, à imagem do que se passa noutros países, a possibilidade de criar um Instituto de Investigação de Políticas do Ensino Superior para podermos voltar a acreditar na qualidade – amanhã, pelo menos! – do nosso ensino superior, privado e público. Com a missão de juntar mentes formadas e esclarecidas, para além do necessário ‘know how’, e desempenharem as actividades necessárias primárias para a instauração/instalação paulatina, programada do nosso Ensino Superior.
E esse Instituto teria o objectivo permanente de ajudar a aprofundar a investigação, de forma a fazer nascer, e com o tempo, fazer avançar o pensamento crítico cabo-verdiano… ao mesmo tempo que promoveria um entendimento informado sobre as questões vitais das políticas de ensino superior a nível nacional.

O Instituto seria a pedra angular do Ensino Superior no país, coordenando, sempre através da interacção com os mais variados agentes do sector, os projectos de investigação que desaguariam nas linhas mestras para o desenvolvimento desse objectivo. Projectos e Ideias que abordam todos os tipos de questões relacionadas com as políticas do ensino superior, e que também devem reflectir a grande diversidade das formações académicas possíveis para estas Ilhas.

Promover um debate sobre as questões-chave das políticas do ensino superior.
Estudo e apresentação de propostas que ajudem o Estado a cumprir com a obrigação (Constitucional: acessível a todos) de facilitar o acesso, pela equidade, pelo menor custo.
Análise aprofundada dos Currículos e da necessidade de banalizar a ideia da eficácia duma avaliação constante… sem esquecer a sistematização das equivalências.
Apoiar o avanço do conhecimento sobre as políticas do ensino superior.

Nem oito… nem oitenta! Porque não queremos que situações como a que aconteceu com a primeira ‘fornalha’ de arquitectos formados no país, se torne corriqueiro e normal. Porque nunca será normal que num país pobre como o nosso, cheguemos ao ridículo de investir, gastar tempo e dinheiro… com brincadeiras. Felizmente, os sinais da UniCV parecem ser noutro sentido.

BLOG JOINT PROJECT

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· Blog di Nhu Naxu - http://alibemtempu.blogspot.com/

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sexta-feira, janeiro 23, 2009

Salvador Dalí – 20 anos depois…


Vinte anos se passaram. Posso afirmar que nesses vinte anos… ele se manteve sempre presente. Pelas suas obras. Pela força e beleza das suas obras que são um ‘must’ no mundo de hoje! Afinal ele foi um dos artistas mais marcantes do século XX.
Pois é, hoje 23 de Janeiro, assinalam-se 20 anos sobre a morte do pintor espanhol Salvador Dalí, esse expoente máximo do surrealismo. Salvador Dali marcou porque era amado e odiado em igual proporção, pois foi uma figura polémica e provocadora até aos limites, como só Artista singular pode ser, com a complacência de todos. A vida de Dalí é feita de mil e um argumentos possíveis de outros tantos filmes… de acordo com a iniludível excentricidade da sua obra, mas também da sua vida.
Aliás a genialidade e a loucura, não dissimuladas, estiveram sempre presentes na sua vida pessoal e artística.
A importância de Salvador Dali não se restringe à pintura. A sua visão artística original foi colocada ao serviço do cinema, através de duas colaborações com o realizador Luís Buñuel ("Un Chien Andalou" e "L'Age D'or"), Alfred Hitchcock ("Spellbound", 1945) e Walt Disney ("Destino", lançado postumamente em 2003).
Um dos seus quadros mais famosos, "A Persistência da Memória" (1931), é uma obra espantosa sobre a importância do tempo e da memória no ser humano. Contudo, segundo o artista, este quadro foi o resultado, apenas, de uma reflexão sobre a natureza do queijo Camembert...
A sua musa e companheira durante décadas, Gala, após ter visto concluído o quadro dos relógios flácidos, disse a Dalí: "Quem quer que veja este quadro nunca mais o esquecerá".
Dalí, personalidade ímpar, megalómana, excêntrica, egocêntrica, insurrecta, deixou o mundo há 20 anos.
O artista provocador que um dia disse:
"Com seis anos de idade eu queria ser cozinheiro. Aos sete queria ser Napoleão. E minha ambição nunca parou de crescer desde então".


Style: Surrealism
Lived: May 11, 1904 - January 23, 1989 (20th century)
Nationality: Spain

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Esperança Renovada

“A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era”

Que o Homem tenha dito isto, logo no início do seu discurso, como se estivesse já na garganta pedindo para jorrar, deixa-me com um sentimento de ‘esperança-renovada’.
Esperança de que consiga lutar e vencer o status quo que há muito tem montado um sistema mundial em que ‘poucos-mas-muito-ricos’ decidem e manipulam e desfazem tudo, a seu bel prazer… para manter numa pobreza miserável crescente, os ‘muitos-mas-muito-pobres’.
Este mundo globalizado em que os ‘todo-poderosos’ (a ganância e o poder, de mãos dadas) querem provar que toda a riqueza do mundo (extorquida a que preço for)… cabe nos bolsos de alguns poucos…
Renovada a esperança…

sexta-feira, janeiro 16, 2009

O Comandante das Aguas Turvas


- Há, ou devia haver, sempre (!) um Vasco da Gama nas nossas vidas…
- Como? Hoje destes para anedotas?
- O pior é que o meu, precisa ainda ser descoberto por mim… E digo, por mim, porque tu bem que o podes ter descoberto por ti… aliás como já mo dissestes bastas vezes…
- O que dizes querido?
- Não acredito… Quarenta e dois anos a viver comigo mesmo… e nem Índias nem Américas para mim.
- O que se passa contigo, Amílcar? Falas, falas… e não comunicas. Que história é essa?
- Eu só tenho um Porto conhecido e seguro.
- Sonhastes querido?
- Porto seguro… Ahn?
- Ahn! Eureka, parece que acordastes agora. Amílcar Eugénio Lima…
- Hum. Acordei agora? Guida, não brinques comigo. Estavas a falar comigo? O que foi que dissestes? Desculpa-me…
- Há que tempos te estou a falar, e não me respondes…
- Quem? Eu? Comigo?
- Claro! Alô! Estás a ver mais alguém aqui em casa? O nosso Eugénio… esse, já só nos enche a casa nas férias… Ah Amílcar, que saudades do nosso menino…
- Ah não! Outra vez, não!
- Todas as vezes. Todas as vezes…
- Margarida! Margarida querida, de novo?
- Novo? Não há nada de novo. A não ser este vazio deixado pelo nosso menino ausente…
- Ah! … Eu preciso. É uma necessidade. Mudar de cenário. Mudar de corpo. Co-habitar… apoderar… existir… descobrir… encontrar-me… n'outro cenário.

(excerto de conto em construção) A propósito de 'certas comunicações' in blogs made in CV

terça-feira, janeiro 13, 2009

13 de Janeiro - Liberdades...

Pedro Pinto


Teatrakácia…
(Editorial)
um espaço onde possa falar do amor pelas Artes e pelo Teatro em particular…
pelo amor por estas Ilhas que continuam a ser ‘madrastas’ para a maioria esmagadora dos seus filhos…
aos poucos, (porque não?) tentar acompanhar e fazer parte da blogosfera creoula e… tentar exercer esse direito que o ‘berdiano’ também deve ter no concerto das nações modernas e democráticas…
lutar para que, cada vez mais se solidifiquem as liberdades todas nestas Ilhas Afortunadas (afortunadas aqui mais no sentido da negação de fortunas = materiais...).

E nada como o exercício, para criar e montar e construir esse hábito que, infelizmente, ainda não é uma ‘instituição’ no país.
Na Lei-mãe elas existem… só que as mães ainda não as ensinam/passam de forma científica… (o passado mais ou menos recente, ainda está muito fresco), a cultura ainda não a adoptou e muito menos sedimentou…
O direito de todos à livre expressão – com respeito devido ao outro que, naturalmente pode e deve discordar… - é um desiderato que ainda, em termos colectivos e de sociedade civil, está bem longe…
O direito à crítica aos poderes instituídos… sem ser engolido pelas máquinas ‘trituradoras’ partidárias…
E o direito à livre expressão de ideias mesmo que disparatadas… (este direito então, estará muito mais longe!)
É que, a blogosfera cabo-verdiana pode ser – é desejo meu, com o tempo - uma forma de ‘exercício mais ou menos colectivo’ de escrever aprendendo a colocar e assumir ideias/críticas/merdas/preciosidades outras que não as habituais ‘cenas do finge-opinar’, com esboços de argumentos minuciosamente medidos pela auto-censura… desaguando no ‘politicamente correcto’ dos pseudo-críticos e da ‘manada’ que será aquela camada que pulula à volta dos políticos, dos cargos mil, e dos negócios…
Enfim, mil e uma formas outras de dizer e de pensar o país, a actualidade, os problemas da terrinha… que habitualmente não cabem ou não interessam aos editoriais mais ou menos comprometidos dos órgãos de comunicação social existentes…
As ideias, os debates, os sonhos, as críticas, estapafúrdios e ‘non-senses’ da blogosfera são o que são… não representam nada… mas juntos tentam remar contra a maré… e um dia terão outro peso…
Por enquanto são vários ‘espaço meu, individual e tão livre quanto possível’. E poucos são um pouco mais, pois incluem no seu seio ‘vozes mil outras’ desta sociedade civil que teima em não existir como tal…
Pedro Pinto

A propósito, retomo esta frase que deixei em género de comentário, há dias, no Café Margoso: ‘Liberdade de expressão! Sou até capaz de morrer por isso… Mas vendo bem as coisas neste sec.XXI... onde quase tudo e todos foram 'levados' à força (quase) para a Democracia e as Liberdades totais... dizia, analisando bem, nas democracias, as liberdades são um pouco como... liberdade para 'brincar', 'exprimir à vontade'... mandar as bocas todas... mas na hora de 'decidir e mandar mesmo'... DECIDEM E MANDAM os poderes... e só contam os que contam...
Os 'badamecos' têm a liberdade de discordar, reclamar, blogar como quiserem... mas... os que contam não estão nem aí para os 'meninos' e decidem e fazem o que acham que devem e como devem...
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência?!

E agora ocorre-me esta situação pensada e escrita por Luis Fernando Veríssimo, que é sintomática, e diz tudo sobre a forma como os poderes se protegem e dividem entre si as riquezas do país:

“Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.

D- Delegado L - Ladrão

D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L - Não era para mim não. Era para vender.
D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
L - Mas eu vendia mais caro.
D - Mais caro?
L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L - Os ovos das minhas eu pintava.
D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)
D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L - Às vezes. Sabe como é.
D - Não sei não, excelência. Me explique.
L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...

Já dá para ‘ver o filme’…
Enquanto situações dessas acontecem no país, não há razão para celebração de liberdades, nem para júbilo com PDM, para derreter em felicidades… não se consegue respeito pela Justiça e sobretudo, reconhecimento para a política e os políticos.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

2009

Já conhecemos – até agora - apenas 9 dias deste novo ano… e há um quê de cinematográfico no ar!
Argumentos mil vêm sendo expendidos por estes dias… é verdade que o cenário tem estado centrado mais na faixa de Gaza e no drama humano, onde milhões de inocentes, sem fazerem parte do elenco principal, nem terem feito casting demonstrando vontade de entrar/fazer parte… e nem estarem no plateau, vivem o drama e foram transformados em actores de um filme de guerra real.
Cameras mais ou menos escondidos focam os danos colaterais…

Zooms generosos sobre os decisores que são uma espécie de produtores que, com flash-back’s, tentam ajudar a entender ou a desviar da estória/argumento com o objectivo de manter o suspense… e o interesse.

Mesmo com muitos silêncios e omissões de uns e outros, mais preocupados com a promoção.

Por outro lado, a paixão pelo cinema tem ‘puxado’ muitos bloggers para posts à volta da Sétima Arte, notaram? Espreitem lá!
Porque será?

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Vulcão do Fogo - Maravilha do Mundo!!!

Domingo passado, no programa da RCV, Telefonia, anunciámos a participação de Cabo Verde, com o Vulcão do Fogo, nas novas 7 Maravilhas da Natureza do Mundo, com informação sobre as votações on-line interrompidas desde o dia 1 e até este último dia 7 de Janeiro, contrariamente ao que escreve o http://www.asemana.publ.cv/.
Hoje regressamos ao site e demo-nos conta de que, como programado, se entrou numa segunda fase, e que o Monte Fogo na categoria de Montanhas, continua disponível para votação…
‘Welcome to the second phase of the Official New7Wonders of Nature campaign!
The national qualifiers are now over, and you can vote for your chosen seven from the list of 261 qualified nominees.
Please browse through the list of the nominated nature sites by a click on the world map below.
All nominees are clearly defined natural sites or natural monuments that were NOT created or significantly altered by humans for aesthetic reasons.’
O nosso Vulcão do Fogo lá está… mas - surpresa! - ainda não tem uma oficialização de candidatura, o tal Official Supporting Comittee (OSC), condição ‘sine qua non’ para poder passar à próxima fase dos finalistas.
Ainda lá está:
'Mount Fogo
CAPE VERDE
Mount Fogo is the highest peak of Cape Verde, the archipelago off the western coast of Africa. Mount Fogo rises to 2,829 meters above sea level, and is an active stratovolcano lying on the island of Fogo.

Vote now for Mount Fogo '



O nosso Ministério da Cultura não acredita nas potencialidades dessa candidatura do Vulcão do Fogo? Alguma instituição outra se candidata… ou mesmo alguém se candidata? É possível, com autorização expressa do Governo.
No site da New7Wonders está disponível o boletim de inscrição para suporte oficial da candidatura.
Mas é preciso, no mínimo, acreditar. E como dizem as regras… IF YOUR NOMINEE DOES NOT HAVE AN OFFICIAL SUPPORTING COMMITTEE, IT WILL NOT BE ABLE TO BE SELECTED AS A FINALIST.
Pois… e, just in case… To start an OSC, please download the contact form below – lá no site http://www.new7wonders.com/ - and send it via FAX to +49-89-818 196 033. We will the will contact you with further details and instructions for next steps.
Ou será que não vai haver mais ‘steps’ para a nossa candidatura? E, já agora, gostaria de saber… como é que ela lá foi parar?

terça-feira, janeiro 06, 2009


Este fim-de-semana, entre Sábado e Domingo, vi em casa, três filmes. Por sinal, três bons filmes: ‘Amor em tempo de cólera’, ‘Mamma Mia!’ e revi ‘Tudo sobre a minha mãe’.
Vi os filmes… mas não estive no cinema… não fiquei envolvido a 100% embora tenha deixado rolar uma ou outra lágrima… a entrada no clima do filme foi bastas vezes interrompida: puz em pausa para responder o telefone, fui ao frigorífico, fui desconcentrado pela algazarra dominical chinesa… Nada como o ‘escurinho do cinema’…
E lembrei-me, obrigatoriamente dos dois cinemas de Mindelo – Éden-Park e Mira-Mar. Inclusive, continuando a ‘descer no tempo’, na canseira especial de ver um filme na ‘geral’. O olhar panorâmico que não dava para ver o ecrã na íntegra… tal a proximidade do grande ecrã… a necessidade de estar a fazer ‘travellings’ com a cabeça para poder ver toda a cena, todos os pormenores… 5 escudos = dois filmes… Coisas que só a infância e os tempos de ‘teenager’ encaixam sem problemas. Depois, melhores tempos: os lugares cativos em todas as estreias… Bons velhos tempos!
O Éden-Park - da magia, dos sonhos... essa janela aberta para o mundo, que era para mim e para todos, creio eu, na altura de menino de liceu aprendiz das coisas da vida e do universo - continua lá, fechado, à espera para cair de podre, antes que o derrubem de vez, para em seu lugar se erguer um 'monstruzinho' qualquer sem brilho e sem história. Fala-se em centro comercial.
Uma cidade cosmopolita como Mindelo pretende, sem um único Cinema... dá para entender? Enfim, o Éden-Park, sala mítica, sagrada, desejada... já era! Nem Cinema, nem sala de espectáculos para grande público. E no ecrã das minhas memórias desfilam imagens mil de sessões e noites de gala marcantes… que aos poucos se vão desvanecendo… mas teimosamente ecoam os sons desse espectáculo inesquecível da primeira apresentação da 'Voz de Cabo Verde'…
É, continua a soar nesse espaço e em muitas mentes de gente que viveu euforicamente esse evento marcante para a história da música da terra... Uma saudade imensa, mas também muita indignação!
Mindelo já teve salas de cinema… no passado. Hoje, estão ambas fechadas, decadentes, a cair de podre…
Ainda encantado com as boas recordações da magia perdida, entro na net e leio: ‘Uma “Broadway chinesa”, com 32 salas de espectáculos, vai ser construída nos próximos cinco anos em Pequim…’
Eu não queria uma ‘Broadway’, nem americana nem chinesa… uma ‘Éden-Parkezinha kreoula’…

terça-feira, dezembro 30, 2008

Felicidades mil...

No novo Ano que já está aí à espreita, algo nervoso, com não dissimulada vontade de tomar conta de nós, dos Homens, da Vida, do Mundo... para marcar (carimbar) com selo próprio… os nossos votos de boa sorte, fazendo (trabalhando) por merecer a Vida… e muuuuito AMOR.

Sim. De acordo com este conselho sábio do pensador Vinicius de Moraes:
“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido”



Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe que a distância não existe

Que todo grande amor

Só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor

Não tenha medo de sofrer

Que todos os caminhos

Me encaminham pra você

Assim como o oceano

Só é belo com luar

Assim como a canção

Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem

Só acontece se chover

Assim como o poeta

Só é grande se sofrer

Assim como viver

Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim

Eu não existo sem você


Vinícius de Moraes

Felicidades mil, para todos...

sábado, dezembro 27, 2008

Teatro: mais uma perda neste Natal

Eartha Kitt, a boa actriz de teatro, depois cinema e televisão, mas popularizada como a versátil cantora americana cuja sensualidade e voz provocante fizeram dela uma estrela internacional com mais de meio século de carreira, morreu no dia de Natal, aos 81 anos, informou o seu amigo e agente, Andrew Freedman.

Teatrakácia faz questão de realçar que Eartha Kitt foi uma das poucas artistas a ser nomeada para os Tony, os Grammy e os Emmy Awards, que recompensam anualmente os artistas do teatro, música e televisão, respectivamente. (ela ganhou dois Emmy Awards)
Kitt morreu vítima de cancro do cólon, disse Freedman. Ela morava no estado de Connecticut e estava em tratamento num hospital de Nova York.
Filha de mãe afro-americana e pai branco, Kitty ficou conhecida como actriz nos anos 60, após participar de três episódios da série de TV - Batman, como a sexy "Mulher Gato".
“Era indubitavelmente uma artista lendária e mesmo que pudessem ter havido várias imitações, ela era o original”, declarou Freedman.


"I Want to Be Evil" e "Santa Baby", uma música indispensável no período do Natal, foram duas de suas canções mais famosas.
Chamada de 'a mulher mais sexy do mundo' por Orson Welles, Kitty actuou em filmes vários de que destacamos a sua prestação em "St. Louis Blues" (1958), ao lado desse outro 'monstro' Nat King Cole.
Criada nos campos de algodão da Carolina do Sul, Kitty entrou para a "lista negra" do governo americano após criticar a guerra do Vietname num almoço em plena Casa Branca.
Devido ao incidente, Kitty foi obrigada a viver no exílio tendo actuado fora do país de origem durante vários anos, até ao seu regresso triunfal à Broadway, em 1974, antes de ser indicada, quatro anos depois, para o prémio Tony, pela sua interpretação no musical "Timbuktu".
Voltou à Casa Branca em dezembro de 2006, para acender as luzes da árvore de Natal, ao lado do presidente George W. Bush.
Após cantar em mais de 100 países, Kitty era capaz de fazê-lo em dez idiomas.
Como dançarina, Kitty começou em Paris, na famosa companhia de Katherine Dunham, e percorreu o mundo antes de fazer 20 anos.
"Paris foi uma de suas paixões", disse Freedman. "Um de seus primeiros sucessos (como cantora) foi 'La Vie en Rose'", de Edith Piaf.
"Desde esse período, nos anos 40 e 50, a Europa sempre teve um lugar especial no seu coração, particularmente Paris". (com AFP)

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Morreu um Grande Homem do Teatro - Harold Pinter


Morreu o Nobel da Literatura. Mas... Morreu muito mais! Morreu esse homem que se preocupava com o Homem, as suas gentes e as gentes do mundo… e sobretudo para nós aqui no Teatrakácia, esse dramaturgo marcante, esse Homem que escrevia a pensar mesmo nas artes cénicas, na representação em ‘carne e osso’ frente-a-frente com o destinatário: o público. Aliás começou por ser actor (com nome artístico: David Baron) vivenciando no palco onde terá sentido essas ‘correntes’ todas que passam ou não. Essa 'magia' que faz com que aconteça Teatro, com as mil e uma dificuldades a se esvanecerem na hora ‘sagrada’…
Portanto, um Homem (também) do Teatro.
Harold Pinter morreu ontem, aos 78 anos de uma vida engajada – a escrever - mas também a viver e a sonhar melhores dias para este mundo. Viveu uma vida que cada vez menos temos neste mundo globalizado e que se resume em duas palavras: intelectual engajado (ou se se preferir comprometido)!


E intelectual duma humildade incrível: ‘Não sei resumir nenhuma das minhas peças. Não sei descrever nenhuma. Só sei dizer foi isto o que aconteceu, foi isto o que disseram, foi isto o que fizeram’.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Um Bom Natal para Todos


O Natal deve ser visto com outros olhos, olhos de dentro, do coração, virado para o amor pelo outro... a começar pela Família...
Feliz Natal para todos!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Mais TEATRO - Juventude em Marcha no Mindelo, depois de fim-de-semana passado na capital


O grupo teatral Juventude em Marcha de Santo Antão actua neste fiml de semana no Mindelo, no quadro de uma digressão nacional iniciada no passado 1º de Dezembro. No Auditório do Centro Cultural do Mindelo, a 27 e 28 próximos Sábado e Domingo, com início dos espectáculos aprazado para as 21horas. A entrada custa 500$00. Em palco, o grande sucesso do grupo santantonense, a peça "a Deus o que é de Deus, ao diabo o que é do diabo", uma produção do grupo, que em Março de 2009 assinala os 25 anos de carreira.


Entretanto, antes do Juventude em Marcha, no dia do Natal, 25 de Dezembro, a reposição na mesma sala – CCM – da peça “o gato malhado e andorinha sinhá” pelo grupo de teatro do Centro Cultural Português. Duas sessões no mesmo dia: 17:00 e 19:00 horas, a não perder essa magnífica peça para todos, uma adaptação crioula da bela história de amor impossível de Jorge Amado.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

BLOG JOINT


Eu ACREDITO.
Teatrakácia também está ‘in’ neste projecto que acredita numa possível força ‘mais do que virtual’ dos blogs berdianos. Ninguém pode negar que já existe um espaço. Aperfeiçoá-lo, com o desejo/determinação de melhorar sempre(!) e no ‘joint’ juntar os possíveis frutos e dividí-los por toda a nação cabo-verdiana. Escusado será dizer: dentro e fora do país! E tudo isto em termos de ideias/carácter/crítica/formação/debate pensando num Cabo Verde cada vez mais próximo do ideal.
A utopia fomenta o sonho; e a determinação, o trabalho e a união contribuem para a realização dos sonhos…
Teatrakácia está in neste Blog Joint.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

TIM NO SAL


‘Mal d’Amor’ – Uma das várias peças do TIM que mais se têm aguentado ‘na estrada’, foi o mote para mais uma viagem inter-ilhas do Teatro Infantil do Mindelo. Estão no Sal, onde hoje 17 e amanhã 18 de Dezembro, nesta época especial de olhos ‘domitadamente’ mais virados para as crianças, irão tudo fazer para ‘encantar e fazer brilhar os olhos' dos mais pequenos.

Hoje em Santa Maria, e amanhã nos Espargos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

O Gato Malhado e Andorinha Sinhá - Reloaded2008

É verdade! Apraz-nos relevar isso. E ainda bem que assim continua a ser!

Aqui no Mindelo, os homens e mulheres ligados ao teatro, fazem das tripas coração, arregaçam as mangas, conciliam horários de trabalho, escolares e familiares e reinventam tempo para os compromissos mil com essa 'paixão para a vida'.

Neste fim-de-semana, vamos ter mais teatro. Um Teatro para todos, ou não estamos nesse período de Festas e bem especial para as crianças?

Uma peça que já tinha sido trabalhada no ambito de exercício cénico de fim-de-curso. Agora, com os experientes actores do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português, em espectáculo a não perder!



O Gato Malhado e Andorinha Sinhá - de Jorge Amado

Vejamos a Ficha Artística:

Coordenação Geral e Direcção Artistica
João Branco

Coordenação Geral e Direcção Plástica
Elisabete Gonçalves

Adaptação e Dramaturgia
Airton Ramos e João Branco

Música Original e Ambientes Sonoros
Neu Lopes

Desenho de Luz
Anselmo Fortes

Concepção de Máscaras
Elisabete Gonçalves

Elenco
Grupo de Teatro do CCP - IC

E mais, sobre o Espectáculo, na pena do encenador JB:

Uma parábola contemporânea

Desde há muito que desejava colocar no palco uma adaptação teatral deste conto exemplar de Jorge Amado, certamente um dos maiores criadores literários do século XX. A história, aparentemente elementar e singela, fala-nos de uma paixão proibida entre dois seres que foram, por natureza, feitos para serem inimigos mortais. É uma poderosa parábola contemporânea, que nos mostra como o preconceito impede tantos seres humanos de serem felizes, pelo simples facto de se apaixonarem por alguém que o mundo próximo e social, considera «inadequado». Pode ser por causa da cor da pele, da conta bancária, do credo religioso, da nacionalidade de origem, da afeição clubista ou da filiação partidária. Apesar de tantos exemplos diários, parece que ainda não aprendemos que o amor é a grande arma para lutar contra uma sociedade alheia, triste, global, receosa, egoísta e tantas vezes hipócrita, como é esta em que vivemos hoje em dia.

Por isso esta adaptação teatral cumpre um desígnio que considero fundamental nesta forma de expressão artística única e essencial: servir de espelho da Humanidade e, seja pela emoção que induz, seja pela reflexão que provoca, conseguir, através dessa vivência partilhada, tornar-nos um pouco melhores seres humanos e mais conscientes das nossas forças e das nossas fraquezas.

Também por isso, e ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não considero esta uma peça «infantil». É uma peça para todas as idades, porque o amor não tem fronteiras e nunca é tarde para apreender a poderosa influência que este pode exercer na nossa curta passagem pelo mundo dos vivos.

Dito isto, uma palavra aos 15 actores e actrizes do grupo de teatro do Centro Cultural Português - IC, que consegue juntar num mesmo palco imensa experiência e talento, como há muito tempo não se via na nossa companhia. Quisemos muito reencontrar esta história pelo ensinamento profundo que nos transmite. Quisemos dar a nós próprios uma demonstração da nossa capacidade de mobilização enquanto colectivo teatral. Quanto mais não seja, porque cada vez é mais certo que estar no palco e habitar outras vidas, é paradoxalmente incompatível com um estado de espírito egocêntrico, leviano e hipócrita que tantas vezes nos barra o caminho da felicidade.
João Branco Director Artístico do GTCCP Mindelo / IC


Sábado dia 20 - 17:00 horas

Domingo dia 21 - 18:00 horas
E mais duas sessões no dia do Natal (Dia 25 de Dezembro) - 17:00 e 19:00 horas

Sempre no Auditório do Centro Cultural do Mindelo

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Sementes crioulas do Teatro espalhadas pelo mundo fora

Paulo Miranda

O rapaz – Paulo Miranda - começou a fazer maravilhas no Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. A título de exemplo, Paulo fez o papel de Mercúrio Crioulo na versão GTCCPM do clássico de Shakespeare – Romeu e Julieta.
Ainda antes da partida para estudos, assessorava o JB nas criações cénicas do grupo. E o friorento Guarda (Portugal) foi o destino. Por lá estudou, arranjou ‘calores’ até integrando grupo musical de crioulos, mas sempre ancorado na paixão de sempre: o Teatro.
E Teatrakácia, ao ler a informação sobre a próxima estreia do mais recente trabalho do Aquilo Teatro, abriu as portas para a retoma aqui, para partilha no nosso pequeno espaço de apaixonados pelas artes cénicas… naturalmente:


‘Nos dias 15, 16 e 17 de Dezembro, pelas 21h30, no Auditório da Câmara Municipal da Guarda, o Aquilo Teatro irá apresentar a sua nova produção teatral “As Orelhas do Compadre”, com dramaturgia e encenação de Paulo Miranda. O texto é uma adaptação do conto tradicional português “As Orelhas do Abade”.
Trata-se da história de uma família (pai, mãe e filha) e do seu amigo compadre.
Almerinda, mulher cheia de superstições, refilona e fogosa apercebe-se através de uma história de amor da mitologia grega (Dido e Eneias) que há muito tempo o seu casamento perdeu a chama da paixão. É quando, para escutar o seu coração e os seus desejos, começa a infernizar a vida do seu marido e a dar mais atenção ao seu amigo compadre…
Entre uma caçada de perdizes, engano, desavenças, traição e muita paródia, alguém há-de ficar sem as orelhas…ou não?
Trata-se de uma comédia onde as personagens se expressam livremente esbarrando nos códigos de conduta, onde existe um eficiente jogo dramático em torno dos conceitos de aparência e realidade, onde se denota uma manifestação crítica sobre as relações inter e intra pessoais.
Os actores desta peça são provenientes do atelier de Expressão Dramática, sendo uma forma de promover novos talentos, indo de encontro a um dos aspectos primordiais na acção do “Aquilo”: a formação.

Texto: Adaptação do conto popular português “As orelhas do Abade” (São Miguel, Açores)
Dramaturgia e Encenação: Paulo Miranda

Personagens / Actores:
Almerinda / Anabela Chagas
Zé / Filipe Ruas
Compadre / Carlos Morgado
Filha / Maria Miguel Figueiredo

Concepção de Cenário e Adereços: Paulo Miranda
Concepção de Figurinos: Anabela Teixeira
Construção de Cenário, Figurinos e Adereços: Anabela Teixeira, Irene Prata e Paulo Miranda
Imagem do Cartaz: Kim Prisu
Desenho de luz, montagem e operação de luz: Luís Andrade
Produção Executiva: Anabela Teixeira
Produção: Aquilo Teatro
Apoio: Câmara Municipal da Guarda, ADM Estrela, Instituto Português da Juventude e Junta de Freguesia de São Vicente
Agradecimentos: Elisabeth Carvalho, Elisabete Fernandes, João Manso, Rosa Ramos e Teresa Oliveira.

15, 16 e 17 de Dezembro de 2008
Auditório da Câmara Municipal da Guarda
21h30
M/ 6 anos
Preço Bilhete: € 2,00
Para reservas e mais informações:
271222499, 962550825

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Cordão Umbilical

Foto de João Barbosa

Imagem da mais recente produção do Atelier Teatrakácia: Cordão Umbilical

Para breve a reposição no Centro Cultural do Mindelo, depois da estreia absoluta na 14ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo - MINDELACT 2008

quinta-feira, novembro 27, 2008

Mindelo - Tráz d'horizonte esteve, dia 25 Novº na Mostra Audiovisual de Cabo Verde no Brasil

Iº Seminário de Estudos Cabo-verdianos no Brasil

A relevância dos laços que unem Brasil e Cabo Verde, especialmente no campo da literatura, da língua, de uma origem histórico-política irmã, aponta para a necessidade de iniciativas que ampliem e verticalizem o nosso conhecimento a respeito das realidades das ilhas crioulas. O resultado esperado deste aprofundamento será um diálogo em bases mais sólidas, permitindo, inclusive, que se desfaçam estereótipos e equívocos que o desconhecimento alimenta, tanto sobre as Áfricas (na sua riqueza plural) quanto, em especial, sobre o Arquipélago.
O extremo interesse, hoje, dos Ministérios da Cultura, das Relações Exteriores e da Educação brasileiros por Cabo Verde, como um dos países mais desenvolvidos da África na atualidade, assim como a legislação (Lei 10639/ 2003, Artigos 1º e 2º da Resolução do Conselho Nacional de Educação/ 2004 e a recente Lei Federal 11 645/ 2008) que ampara e expande o conhecimento das culturas africanas, instituída pelo Governo brasileiro, por si já evidenciam a importância do I Seminário Internacional de Estudos Cabo-verdianos para o setor cultural do nosso país.
Nossa proposta é a realização de um evento que tenha como tema os Estudos Cabo-verdianos, privilegiando as relações entre a literatura de língua portuguesa (nossa área principal de atuação na universidade brasileira) e o patrimônio imaterial crioulo, dando destaque ainda a aspectos relevantes para a interlocução texto literário/contexto como história, geografia, clima, cultura popular (tradições orais, música, culinária, artesanato), língua (oficial portuguesa e materna, crioula e discussões para o estabelecimento do crioulo padrão e do crioulo como língua nacional), pintura, cinema, fundamentais o desenvolvimento pleno das nossas atividades acadêmicas e culturais em vários níveis de atuação, da Extensão à Pós-Graduação.
Com a finalidade de traduzir-se num diálogo enriquecedor, o evento contará com a presença de pesquisadores da cultura crioula, escritores, artistas, lingüistas e historiadores cabo-verdianos radicados no Arquipélago ou no Brasil, o que significa diminuir a distância geográfica entre as informações, fortalecer a discussão em torno de problemas que são altamente significativos em nossos processos histórico-culturais e estreitar a convivência irmã.
O I Seminário Internacional de Estudos Cabo-verdianos, sob a égide do cinqüentenário da morte de um dos ícones da poesia e da música cabo-verdianas, B. Léza, tem ainda como propósito homenagear (in memoriam) personalidades precursoras da área de estudos africanos como Maria Aparecida Santilli e Benilde Caniato, professoras da Universidade de S. Paulo. E ainda, mais que merecidamente, a partir do título do evento (Contravento, pedra-a-pedra), inspirado na Antologia bilingue da poesia cabo-verdiana organizada em 1982 por Luís Romano de Madeira Melo, pretende valorizar em vida o legado deste importante intelectual, escritor e folclorista cabo-verdiano, que adotou a terra brasilis como segunda pátria, promovendo a solidificação dos traços de união indispensáveis às relações entre Cabo Verde e Brasil.

MOSTRA AUDIOVISUAL Sessões decorrem na CINUSP
Mindelo - traz d' horizonte - aconteceu pelas 19:00 do dia 25 passado

Produção: CRIOULA – EUROSTUDIO

O documentário longa-metragem é um filme que tenta experimentar pelos sentidos, a alma da cidade de Mindelo e a cultura crioula pela vida contemporânea do seu povo.
Realização: Alexis Tsafas.
Diretor artístico: Fonseca Soares
Fotografia: Yannis Fotou
Música: Vasco Martins

Para amanhã, 28 de Novembro:
16:00 - Os Rebelados no fim dos tempos
Sinopse: “Filmado na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, o documentário acompanha o quotidiano e as expectativas de três rebelados que esperam o fim do mundo, anunciado pelos mais velhos para o termo do milénio. Durante um ciclo agrícola, a câmara percorre o dia a dia de três personagens, um pai e dois filhos, nos trabalhos do campo, no vai vem aos centros urbanos ou durante as noites da ladainha.”
Realização: Jorge Murteira.
Duração: 51’.
17:00 - Áreas protegidas de Cabo Verde
Sinopse:
Um dos maiores recursos em prol do ambiente em Cabo Verde foi a criação e a promoção das chamadas áreas protegidas. Adoptadas pelo estado cabo-verdiano como zonas de reserva ecológica, estas áreas estão delimitadas por lei, e resguardam os elementos da biodiversidade e da paisagem ambiental das ilhas.
Realização: Margarida Fontes.
Duração: 21’31’’.
17:30 - A crítica ao Lócus Claridoso
Sinopse:
A Claridade, como movimento complexo, produziu também os seus questionamentos, alguns, inclusive, em contraponto. É a geração dos nacionalistas que lhe impõe a primeira análise crítica.
Realização: Margarida Fontes.
Duração: 26’12’’.
18:15 - Mais alma
Sinopse:
Durante um Verão, o filme segue, em duas ilhas do arquipélago de Cabo Verde, o processo de criação dos espectáculos que serão apresentados no festival de teatro do Mindelo.Um olhar também sobre a vida fora do palco, acompanhando de perto pessoas que querem encontrar formas de exprimir uma identidade nova, “uma África…”.Os ensaios e bastidores, o nascimento e a discussão das ideias dos grupos de dança Raiz di Polon e Terra a Terra, do grupo de teatro Otaca e dos Acrobatas da Pedra Rolada.
O uso do corpo como instrumento de criação. E um músico, Orlando Pantera que nos indica o caminho da inspiração: mais alma…
Realização: Catarina Alves Costa.
Duração: 56’.

Atenção:A programação será repetida na semana seguinte, no CINUSP, sem os debates.

terça-feira, novembro 25, 2008

Mais Teatro - Máscaras é já neste fim-de-semana


Depois do sucesso que foi a estreia na capital do país… depois da estreia absoluta no âmbito do Festival Internacional de Teatro de Cabo Verde… é chegada a vez de uma mini-temporada aqui no Mindelo, no Auditório do Centro Cultural do Mindelo.
Sexta e Sábado pelas 21:30; e Domingo às 20:30.
Máscaras, para além de tudo o mais – o espectáculo da beleza, da poesia, da palavra – tem o outro trunfo de ter juntado em co-produção, pela primeira vez, os internacionais Raiz di Polon e Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, respectivamente da Praia e do Mindelo…
A arte dos movimentos se alia à arte da interpretação e da palavra, num espectáculo que contou ainda com o concurso do artista plástico Bento Oliveira…
‘Muita poesia no ar, a palavra no centro das atenções, com as nuances a chamar-nos a atenção como pontuais de luzes fortes... e mais uma componente plástica a envolver-nos e a embrulhar-nos numa magia estonteante de tão belo...’Muuuuita Meeeerda!!!
A não perder!

quarta-feira, novembro 19, 2008

“Máscaras” no Auditório Jorge Barbosa

Dois colectivos que trabalham muito e têm representado o país por este mundo fora, juntaram-se, uniram esforços e ‘especialidades’ para fazer um trabalho quanto a nós, infinitamente belo… e sempre à volta dos vários ‘eus’ da vida d’alguém.
Muita poesia no ar, a palavra e os movimentos no centro das atenções, com as nuances/pausas a chamar-nos a atenção, como pontuais de luzes fortes e coloridas... e mais uma componente plástica a envolver-nos e a embrulhar-nos numa magia estonteante de tão belo...
É já esta noite no Auditório Jorge Barbosa, na capital do país.Muuuuita Meeeerda!!! Mais pormenores com este texto do asemanaonline:

'O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo – Instituto Camões e a Companhia de Dança Raiz di Polon apresentam hoje, 19, o espectáculo “Máscaras”, no Auditório Jorge Barbosa (cidade da Praia). Esta peça, a 41ª do GTCCPM/IC, foi produzida a partir de um poema de Menotti del Picchia.

Os actores que estarão em palco no Auditório Jorge Barbosa são Arlindo Rocha, João Branco e Romilda Silva, e ainda os bailarinos Mano Preto e Beti Fernandes. A encenação e a direcção artística é de João Branco.
O espectáculo conta ainda com participação especial de Mayra Andrade e Mário Lúcio Sousa, música de Vasco Martins e Bernardo Sasseti, enquanto as máscaras, figurinos e objectos são de Bento Oliveira, Elizabete Gonçalves e Artur Marçal.
Nessa peça, o grupo de teatro do CCP/IC procura criar ou recriar "um espectáculo impressionista, poético, quase etéreo, na qual cada um consiga ver um pedaço de si em cada um dos personagens (Arlequim, Pierrot e Columbina), que são um só, porque nenhum dos três existe sem o outro".' E mais: o espectáculo é de entrada livre. A não perder!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Filme “Mindelo – Traz d´Horizonte” na II Mostralíngua

Após a estreia na capital do país, a 7 de Novembro, com o Auditório do Centro Cultural Português repleto de gente, e tendo como espectadores especiais o Ministro da Cultura e a Embaixadora de Portugal em Cabo Verde, Mindelo - Tráz d'Horizonte prossegue a sua primeira fase, a dos Festivais. E chega-nos a 'nova conquista': o convite para a IIª Mostra Língua, fora de concurso, pois se trata de um festival de Curtas. Deixo os pormenores da notícia para a nossa Agência de Notícias.
O filme “Mindelo – Traz d´Horizonte”, do realizador grego Alexis Tsafas, vai a Coimbra - Portugal, ainda neste Novembro, por ocasião da II edição da Mostra Internacional de Cinema de Língua Portuguesa (Mostralíngua).
Prevista para dias 20, 21 e 22 de Novembro, no Museu da Água de Coimbra, a mostra objectiva a valorização e a divulgação de curtas-metragens de ficção e documentários em língua portuguesa.
Na primeira edição da Mostralíngua, considerada “um sucesso”, concorreram 29 filmes oriundos de seis países de expressão portuguesa.
“Mindelo Traz d´Horizonte” foi considerado pela crítica como um dos filmes “mais interessantes” exibidos durante o 36º Festival de Cinema Brasileiro e Latino (Festival de Gramado, Brasil), no passado mês de Agosto.
A longa-metragem foi produzida pela empresa Crioula Produções e centra-se no pulsar da cidade do Mindelo. A partir desta cidade cosmopolita o realizador regista os diversos aspectos do povo e da cultura da ilha.
Durante 74 minutos, prescindindo de técnicas comuns ao documentário, como a entrevista ou comentário de suporte, o realizador centra a atenção do espectador na imagem e no seu poder sugestivo e narrativo para construir quadros do quotidiano.
A música, - uma banda sonora onde pontuam Vasco Martins, Manuel de Novas, Voginha e Cesária Évora – intensifica este quadro poético em que o objectivo é, conforme refere o realizador, “mostrar a cultura crioula”.
Com a dança, a música, a culinária, o teatro, os costumes religiosos, o artesanato, a arquitectura urbana, a relação com os espaços, o comércio local, Alexis Tsafas constrói pequenos quadros com os quais se conta a história da cidade.
No documentário participam ainda no enredo musical a Banda Municipal de São Vicente e Gabriela Mendes, para além dos actores Fonseca Soares, Elisabete Gonçalves, Zenaida Alfama, Sílvia Lima, Mirita Veríssimo, Anselmo Fortes e Mirtó Veríssimo.
AA/PC - Inforpress

segunda-feira, novembro 10, 2008


Apraz-nos aqui no Teatrakácia, partilhar esta ‘nova’ de um dos encenadores mais importantes do teatro do Cabo Verde independente, ou não fosse ele o fundador do Korda Kauberdi, e agora, na actualidade, o responsável pelo Tchon di Kauberdi – Francisco Fragoso.
Francisco Fragoso - Prémio de Mérito Teatral, atribuído pela Associação Mindelact há já alguns anos atrás – é um nome incontornável na ainda breve história das artes cénicas crioulas, e continua no activo, agora na diáspora, mais concretamente em Portugal.
Com a devida vénia – acrescida dum tradicional ‘muita merda!’ – retomamos aqui neste espaço, o ‘papel’ da Inforpress, com o seguinte título: Teatro: “Tchon di Kauberdi” organiza apresentações e formações na arte cénica em Lisboa



‘O grupo cénico “Tchon di Kauberdi” tem previsto para inícios de Dezembro, numa série de apresentações e formações de arte cénica, na sede da Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) em Lisboa, soube a Inforpress.
Tchon di Kauberdi, que integra 25 elementos, entre eles, actores, cenógrafos, aderecista, músicos, bailarinos, sonoplasta, luminotécnico e assessor jurídico, foi criado há quatro anos atrás por um grupo de jovens com descendência cabo-verdiana e é orientado pelo encenador e director artístico, Francisco Fragoso.
Segundo esse responsável, a qualidade artística e cénica do grupo é fruto de um aturado e lúcido trabalho “ipso facto, et pour cause”, perseverante, que vem desde os primórdios da sua criação e edificação, cujo corolário lógico foi a sua auspiciante estreia em 2006.
“Não foi, por mero acaso, que, desde a primeira hora do seu advento que o Tchon di Kauberdi tem conseguido um importante e elevado apoio institucional e artístico da Escola Superior do Teatro e Cinema de Lisboa”, salienta Francisco Fragoso.
Segundo o encenador e director artístico do Tchon di Kauberdi, com estes apoios o grupo tem levado a cabo um trabalho de experimentação artística, teatral e estética, no sector de pesquisa, não só, no âmbito cénico e teatral, mas também, no domínio cultural.
Neste caso, por tratar-se de uma associação cultural cabo-verdiana, os trabalhos de pesquisa recaem sobre a cultura nacional, mas respeitando a famosa frase do líder Amílcar Cabral em que aconselha: “Ao mesmo tempo que liquidamos a cultura colonial e os aspectos negativos da nossa própria cultura (…), devemos criar uma outra cultura baseada sobre as nossas tradições, mas respeitando tudo o que mundo conquistou hoje para servir o homem (…)”.
PC’

terça-feira, novembro 04, 2008

Mais Teatro!!! TIM com peça nova

fotos: João Barbosa

Nôs Santa Luzia é a nova proposta do TIM, já para amanhã dia 5, com reposição no dia seguinte:
TIM - O teatro ao serviço
da sensibilização ambiental
Novembro 2008 – no CCM
Dia 5 - 20:00 e dia 6 21:00

A Conservação Marinha e Costeira

O Projecto de Conservação Marinha e Costeira (PCMC) de Cabo Verde enquadra-se no âmbito do Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANAII), na estratégia de conservação da WWF, e no Programa Regional de Conservação Marinha e Costeira da África do Oeste (PRCM) em particular. O projecto foi elaborado em concertação com as instituições em Cabo Verde, financiado pelo governo da Holanda, e está sob tutela da Direcção Geral do Ambiente.

O projecto tem como objectivo “salvaguardar a diversidade biológica marinha e insular de Cabo Verde em benefício do desenvolvimento durável do país”. Entre outros objectivos específicos, o projecto pretende criar através de um processo participativo, duas Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), a Baia da Murdeira na ilha do Sal e Santa Luzia, ilhéus Branco e Raso, devido à importância para a biodiversidade e ao papel que ambas representam na sustentabilidade dos recursos pesqueiros.

O processo participativo de criação das AMPs, permitirá analisar os constrangimentos de utilização dos recursos pelos actores e intervenientes na zona, assim como delinear estratégias de aproveitamento e de gestão, através dos conhecimentos e experiências tanto das instituições do domínio, como dos pescadores artesanais.

No intuito de apoiar o processo de criação e elaboração de um plano de gestão para a AMP de Santa Luzia, ilhéus Branco e Raso, visando a conservação e gestão durável dos seus recursos, o PCMC em parceria com o grupo TIM criou em 2006 a peça teatral “Linha de pesca”. Dando seguimento ao processo, foi então planeado uma segunda peça teatral “ Nhôs Santa Luzia” de forma a demonstrar os caminhos até então percorridos, reforçando os actores no processo de concertação, negociação e gestão participativa dos recursos na AMP.

Pelo WWF



As razões dum Projecto – ou o porquê dum Linha de Pesca II

Após o que pode ser considerado de ‘objectivo atingido’, com a apresentação em vários espaços e locais, e em algumas das ilhas do país, da peça escrita e montada pelo Teatro Infantil do Mindelo e a WWF – LINHA DE PESCA – e com a constante evolução nestas Ilhas e no Mundo dos problemas e necessidades de preservação ambiental, mas sobretudo tendo em conta a contínua degradação desse equilíbrio, e a necessidade de fazer mais para assegurar a biodiversidade marinha, o renovar do desafio de criar mais uma ‘estória’ à volta dos pescadores, do mar, do ambiente, das novas áreas marinhas protegidas… e o nascimento de uma nova ‘estória’ – Nôs Santa Luzia.


Inserido nessa preocupação/missão pedagógica e ambiental inerente aos objectivos do TIM, os seus actores membros, após ‘beber’ de esclarecimentos sobre a actualidade e novas mensagens a passar para a comunidade piscatória e não só, de acordo com as mesas de conversação que reúnem todos os agentes envolvidos na exploração marinha em Cabo Verde, lançam mãos à obra na construção da dramaturgia. Dramaturgia que surge com o empenho colectivo dos actores do TIM, na criação das estórias que servem de base para a mensagem de preservação e protecção do nosso meio marinho.

Em sessões próprias de improvisos e escrita continuada, nasce o enredo… Dá-se de novo, vida! E a história continua. A vida dos nossos já conhecidos três pescadores (Albertino, Djondjon e Chico, mas também da gestora de recursos marinhos pela preservação, Ana Paula, e das vendedeiras Tudinha e Juninha) personagens marcados pela vida real de uma das nossas muitas aldeias piscatórias, segue. Segue, obviamente sempre colada à faina e á vida dura dos homens do mar, e com as preocupações actuais em relação ao peixe cada vez mais escasso, e à inerente necessidade de preservar para que não falte amanhã. Aliás, a filosofia do velho pescador Albertino permite-lhe afirmar categoricamente: ‘Pésca de manhá ta dependê tcheu de pésca d’ahoje!!!’

Resumindo, nos tempos que correm, com as dificuldades acrescidas, do peixe cada vez mais longe da costa, impõe-se para todos a necessidade de gestão. Uma gestão imposta pela necessidade de preservar para poder continuar a dispôr…

Os nossos homens e mulheres da pesca e do mar, precisam se adaptar aos novos tempos, e paulatinamente, pela necessidade, pela descoberta, pelo amor lutam e lutam, procurando vencer na Vida. Mesmo que seja necessário mudar velhos e tradicionais hábitos seculares de pesca enraizados no ‘modus operandi’ da faina nas ilhas.

A palavra de ordem é ‘preservar para não faltar’. Respeitar a Natureza, ou dito de forma mais correcta: voltar a respeitar a natureza, ajudando a que se mantenha o equilíbrio natural das coisas…

Um contributo para a massificação das preocupações, consensos e soluções dos agentes da exploração marinha, saídas das permanentes mesas de concertação.

E em última instância, divulgar as medidas tomadas para proteger o património natural, pois é necessário proteger e mesmo voltar a criar esse verdadeiro tesouro marinho que ainda temos, pois a qualidade ambiental está em muito relacionada com os esforços de preservação que todos queremos que sejam enormes.

Pelo TIM

Nôs Santa Luzia - FICHA ARTÍSITCA
Dramaturgia
& Encenação
Colectivo, com coordenação de Fonseca Soares
Direcção Artística
Elisabete Gonçalves
Interpretação
Anselmo Fortes
Elisabete Gonçalves
Nuno Delgado
Fonseca Soares
Sílvia Lima
Zenaida Alfama
Design Gráfico
Roger Rocha
Produção
Elisabete Gonçalves
Mirtó Verissimo
Apoio Iluminação: CCP Apoio Som: DC SOUND